Planos dourados
O sentimento de pertença a um lugar físico é uma coisa fascinante. Falo isso do ponto de vista de quem nasceu e cresceu no mesmo chão, na mesma terra. Não sei como funciona isso na cabeça de quem foi criado de maneira meio nômade.
Vim para Campo Grande este final de semana porque meu primo se casava. Meu irmão veio junto. Na estrada, ainda na zona rural, ele aponta para a janela e me diz:
-- Olha!
-- O quê?
-- Cerrado!
A princípio dispensei o comentário, tão óbvio. Meio segundo depois, resolvi me surpreender com o fato. "Filósofo é aquele que nunca perde a capacidade de se surpreender com as coisas", já dizia o autor de O Mundo de Sofia. Reparei no relevo, tão plano, com pequenas ondulações, muito diferente do que se vê no Sudeste. Devido à seca, os pastos estavam esturricados, palhentos, cheios de um dourado ardente. As folhas das árvores também variavam de tons assim para o vermelho, como em um outono desértico. Vez ou outra passava correndo para trás um ipê brilhante de amarelo vivo. Então, de repente, eu paro comigo e percebo: estou em casa.

1 Comments:
Longe de sentimentalismos baratos - até porque amor, para mim não é sentimento - ainda que com criação "meio nômade" sinto essas senseções quando retorno à lugares onde estão as pessoas que amo... De certa forma tem uma parte de mim lá com elas, é complicado de explicar, mas acho que vc me entende.
TE AMO!
Saudades...
Liliana
7:52 AM
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