Domingo, Outubro 31, 2004

Projetos de vida a médio-curto prazo

* Assistir uma aula do Pierezam, meu antigo professor de Cálculo da UFMS (o cara é O cara!);
* Visitar a EEPEPSG Rui Barbosa, onde estudei da 2a. à 7a. série;
* Me tornar um voluntário da ONU (tá, esse é bem longo prazo);
* Não pegar exame de Cálculo II.

Sexta-feira, Outubro 29, 2004

Diferenca, ainda que tardia!

Incrível como, não importa em que situacão, sempre tem um jeito mesquinho da gente querer se fazer diferente dos outros, melhor. Estava conversando com um amigo meu que é descendente de japoneses, ele tava me contando algumas coisas que ele supostamente sabe a respeito da cultura do pessoal de lá.

Disclaimer:
Quero deixar bem claro que eu não sei se o que ele disse é verdade, e nem isso influencia minha opinião sobre os japoneses. A análise é válida para qualquer país hipotético onde talvez a realidade seja essa.

Ele disse que o salário mínimo é super alto, coisa da casa dos 3.000 dólares, e que existe um salário máximo (!!) de uns 4.500 dólares. Aí eu perguntei "mas e os milionários?" Bom,os milionários existem, é claro, mas eles são donos de empresas. Quem é empregado, e não dono, tem salário naquele intervalo.

Então eu pensei: "nossa, que bacana, lá não deve ter tanta discriminacão assim, a galera deve se dar melhor, todo mundo tem acesso a mais ou menos as mesmas coisas, etc."

Aí meu amigo me contou que, apesar dessa razoável igualdade econômica, lá se alguém tem um emprego "inferior", como pedreiro, lixeiro, vendedor, etc., aqueles que têm empregos "superiores", como executivos, profissionais de tecnologia, bancários, etc., apesar de não serem mais ricos, nem lhe olham na cara, não gostam que as famílias se relacionem, esse tipo de coisa. A pessoa é o que ela faz.

O interessante é observar que sempre, de algum modo, as pessoas tem que achar um jeito de se sobreporem as outras, de se sentirem melhores, diferentes. Quando há grandes diferencas econômicas, através de lutas de classe; quando há paridade econômica, através de prestígio e "honras". E quase nunca busca-se essa diferenca no sentido de promover o outro, de fazê-lo crescer, mas sempre no de pisá-lo para que eu me sinta superior.

Sexta-feira, Outubro 15, 2004

Realidade

É isso aí. A vida é feita de realidade. A gente gosta de se acostumar no nosso mundinho, criado com perfeicão dentro de uma redoma de vidro. Família estável, infância saudável, seguranca econômica, boa educacão, etc., etc. Como uma versão imaginária do pânico dos condomínios fechados. Um muro ideológico que me protege das misérias do mundo e me deixa andar tranqüilo durante o dia, protegido da minha consciência. Notícia ruim, só no jornal, pra eu poder me informar sobre um mundo que me alcanca diluído pela TV, indistingüível de uma obra de ficcão, e poder reafirmar pra mim mesmo quão melhor eu sou por não fazer parte daquilo.

Mas às vezes a realidade vem e chuta a nossa porta. Quebra a redoma. Olha nos olhos, questiona, encara, cobra.

Cobra de quem virou as costas, de quem fingiu que não viu, de quem achou que não era com ele, que "não acontece comigo".

Às vezes é preciso morrer alguém próximo de forma violenta e sem explicacão pras pessoas pararem pra pensar. Às vezes descobrir que seus filhos usam drogas.

No meu caso, não precisou de tanto. Mas talvez com o que aconteceu eu não tenha pensado o suficiente. Talvez eu só fique chocado agora, ou durante algumas horas mais, quem sabe uns dias, e depois esqueca, volte para detrás do muro.

Estava chegando em casa hoje, vindo pela Av. Santa Isabel, quando ouvi alguns gritos, vi um homem passar correndo. Depois uma mulher. Em seguida, uma crianca, mais duas mulheres. Quando a crianca passou por mim, ainda indecisa se corria atrás do resto ou não, eu vi sua cara de desespero, aquela cara de quando você se sente completamente perdido e sozinho no mundo.

Eu estava indo no sentido contrário que essas pessoas, e fiquei me perguntando o que será que estava acontecendo, e fiz uma breve oracão para que não fosse nada grave.

Depois que cheguei em casa, as mesmas pessoas voltaram, e comecou uma gritaria na rua bem em frente ao meu portão. Foi quando eu vi que era a D. Edna, a faxineira aqui de casa, alcoólatra, cheia de problemas na vida, mãe de três filhos, irmão assassinado há 15 dias. Tinha pego o marido traindo-a na sua própria casa, com os filhos todos vendo - até o mais novo, 7 anos, confirmava quando a mãe perguntava: "é, ele tava chupando a buceta dela" -, e estava aos tapas com ele na rua, de faca na mão e trocando ameacas de morte.

E nós da casa (moro numa república com mais 5 pessoas), por sermos clientes dela, acabamos virando parte da bagunca. Ela chegou aqui gritando, chorando, as criancas já foram entrando, pediram pra ligar pra polícia, e o homem ficou lá do lado de fora, perguntando se tinha algum homem ali dentro pra brigar com ele, etc. Fiquei sabendo também que ele agrediu o filho mais novo, a filha mais velha, falou que não gostava do filho do meio e o jurou de morte um pouco mais tarde, junto com a mulher e os outros filhos. Estes fugiram à pé, e neste momento estão a caminho da casa de algum conhecido para quem a D. Edna ligou, pedindo que a deixasse ir pra lá e que chamasse "uns caras barra-pesada, com arma e tudo", para o caso do marido aparecer.

A minha primeira reacão diante disso foi indignacão. Ela é uma simples faxineira aqui em casa e vem me meter nos problemas de família alcoólatra desestruturada dela! Como ela chega entrando assim na minha casa, colocando em risco também a minha seguranca e a dos outros que estavam aqui dentro? Minha vontade era de, assim que passasse o alvoroco, dar uma puta esporro nela e dizer pra ela nunca mais chegar perto de casa.

Foi aí que eu comecei a pensar sobre aquele lance da realidade. Eu olhei as criancas, todas já machucadas, mais por dentro do que por fora, vítimas de uma não-família, de um cotidiano doméstico de xingamentos e agressões, pai e mãe alcoólatras, escola de péssima qualidade, e comecei a me questionar. Como eu posso simplesmente falar pra sumirem de perto, deixá-los à própria mercê, fingir que não existem?

Por outro lado, o que é que eu posso fazer? Como se conserta isso? Como se reestrutura uma família e uma realidade completamente insanas, caóticas e cruéis? Como se curam os traumas e seqüelas que já ficaram nas criancas? O que é que eu posso fazer?!

Será que eu quero descobrir o que fazer?

Se eu descobrir, será que eu tenho coragem?

Sexta-feira, Outubro 08, 2004

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain

Eu sei que esse filme é muito mais profundo e diz muito mais do que eu, pobre mortal, consegui captar em uma breve assistida rodeada de amigos, e que eu precisaria vê-lo pelo menos mais umas 3 vezes para refletir sobre toda a bela e significante mensagem que ele traz. Vou fazer esta pequena análise, contudo, pelo simples fato de que amanhã eu já não vou me lembrar sequer do que se trata o filme.

A moral que eu tirei do filme (a minha moral, porque afinal de contas este é um filme cheio de faces diversas, que se abrem à interpretacão individual de cada pessoa como próprio ser único e exclusivo que é) é o amor às pequenas coisas, o achar o belo nos detalhes do cotidiano, a gente-bonisse com todos em geral como um fator gerador de realizacão e felicidade, além do clássico "arrisque-se por um grande amor".

O filme em si é bonitinho, fofinho. A atuacão da Amélie Poulain novinha é muito boa, e da nem tão novinha também. O excesso de verde e vermelho é meio cansativo às vezes (acho que o diretor quis dar uma de estiloso e tals), a trilha sonora é ótima e a origem do amor entre o par romântico protagonista é mal-explicada.

O sarcasmo nos dois primeiros parágrafos deve-se a uma pagacão de pau às vezes meio exagerada ao filme, pelo simples fato de que é uma coisa cult. A galera nunca vê filme francês, aí quando sai um no cinema (um que os PIMBAs de verdade consideram pop), fica todo mundo achando-o super diferente, original, profundo, etc., etc. Não que ele de fato não seja. Acho que até é muito disso. Só não curto quando existe meio que essa "obrigacão de se gostar" de algo, como o Che disse que acontece com a Maria Rita. Independente de ela ser boa ou não, é meio convencão que você tem que gostar dela, se quiser que te considerem de bom gosto.

Aliás, esqueci de falar que o humor no filme é muito bem feito, inteligente e sutil. E hoje estou com uma renovada vontade de tirar fotos!

Terça-feira, Outubro 05, 2004

Depois do nabo, vem correria...

O normal acho que era "depois da tempestade, vem a calmaria", ou algo assim, mas comigo tem sido meio que o contrário. A minha vida acadêmica mais uma vez tenta trilhar a batida e comprovadamente ruim estrada de curtir primeiro a calmaria, para depois se desesperar com a tempestade que vem.

Tomei quatro nabos em pouco mais de uma semana (três pequenos e um GRANDE), e agora me vejo às voltas com aqueles pensamentos de "ai, jisuis, eu preciso estudar!". Pior que esse semestre o exame é em JANEIRO! Imagina, ter que passar Natal e reveillón estudando a matéria toda? Nem a pau!

Se a condicão para o meu despertar estudacional volta a ser a iminência da tragédia, que seja! Como sempre diz o Sacomoto: "é quando a água bate na bunda que a gente aprende a nadar!" A água já tá arrepiando os pêlos das costas, então bora dar jeito!

Pra não ficar só na conversa, hoje eu já comecei (e quase terminei!) meu lab de MC (programacão). Agora, pra essa semana, só faltam dois relatórios de física experimental e um projeto inteiro de Cálculo Numérico (para o qual eu tenho que aprender uma linguagem de programacão nova). Fácil pra nóis!

Segunda-feira, Outubro 04, 2004

Nada pra fazer?

Seus problemas se acabaram-se! Chegou o novo Leréia, um jogo projetado para te ajudar na difícil tarefa de desperdicar horas e horas daquela longa madrugada pré-teste de física em que, de outra forma, você teria que dormir (super brega)!

Tá, o negócio é bem legal, sim.

Claro, "da Grow".

P.S.: aliás, nem tão novo assim. Descobri que ele já até mudou de nome. Agora chama-se "Academia".

Sábado, Setembro 25, 2004

Registro

Caramba, agora que eu tava pensando. Tipo, mó legal ter um blog cheio de idéias e tal, que com certeza é muito melhor do que ter um blog do tipo "querido diário, hoje eu acordei, tomei um copo de suco de laranja..." Muito mais PIMBA, inclusive. Mas aí eu penso "putz, eu tenho a memória mais esburacada do mundo!" e me vem a vontade de ter algum registro mais factual, para futura consulta.

Por exemplo, esses dias alguém me disse "ow, diz aí o que você achou do Hamlet, eu li no seu blog que você gostou". Aí eu pensei, pensei, e não consegui lembrar de nada que eu achasse sobre o filme. Eu achava ele legal. Só isso. Nem lembrava direito da estória, malemá dos personagens, e nada da mensagem (pelo menos a que eu tinha tirado dele).

Então o que rolava era ter um lugar onde escrever mais sobre eventos da vida (mas não detalhes idiotas de rotina), impressões de acontecimentos, etc., pra depois lembrar.

Pensei nisso enquanto conversava com a Aline (minha queridíssima cunhada) sobre quando talvez eu for pra China, que seria ótimo se eu mantivesse um blog todo detalhado e gordo sobre a viagem, pra depois mostrar pros meus sobrinhos, quem sabe filhos e tudo o mais.

O ruim de escrever nesse estilo (tanto em viagem quanto no dia-a-dia) é que isto requer uma freqüência muito maior (pelo menos diária né?) e um saco proporcional. Ficar botando idéias bobas e soltas de vez em quando é muito mais fácil e bacana. Tem gente até que acha mó cult esse lance de ficar pensando em holas planetários durante momentos de higiene bucal matutinos.

Quem sabe eu faca alguma coisa assim algum dia. Aqui é que não vai ser. Estou criando um padrão de qualidade de posts com divagacões esdrúxulas por aqui.

Quinta-feira, Setembro 23, 2004

Tempo, tempo, mano velho...

Um dos piores sentimentos no mundo deve ser o de inutilidade. Inutilidade própria. Você se sentir inútil. Acredito que isso deva acontecer muito com idosos aposentados, ou com desempregados, talvez com cantores de pagode.

Nessas situacões, porém, o que acontece é que você quer fazer alguma coisa mas não pode, não tem como ou não tem nada para fazer (exceto no caso dos pagodeiros).

Mas o pior de tudo é quando você tem o que fazer, sabe que tem, e mesmo assim não faz. Você fica imóvel, com uma bigorna enorme na consciência, e ainda assim incapaz de mover uma palha.

Esse é o pior sentimento do mundo, porque a bigorna não te faz levantar e tomar alguma atitude. Ela te empurra mais e mais para o fundo da cadeira (isso normalmente acontece quando se está sentado) num ciclo realimentativo onde cada segundo cresce o peso, que te faz mais apático, que te segura por mais um segundo, e assim por diante.

E sentimento de inutilidade traz um monte de questionamentos do tipo "pra que eu sirvo?", "pra que serve a minha vida?", etc. Comigo vira e mexe vem umas coisas dessas. Acho que é bom estar sempre me lembrando do sentido das coisas, por que eu as faco, qual é a moral da história. Senão eu acabo virando daquelas pessoas formiguinhas que se entopem de atividade, sem saber direito por que fazem o que fazem, mas escapando do perigo de se confrontar consigo mesmas e pensar no seu propósito.

É claro que esse lance deprê da bigorna, da cadeira e da imobilidade não é o melhor jeito de fazer isso, mas às vezes acontece. E vira e mexe, numa dessas, eu me relembro dos meus porquês e saio contentão fazendo as coisas.

Hoje eu levantei cedo e assisti à primeira aula! :D

Terça-feira, Setembro 14, 2004

Impulso

Você alguma vez já teve aquela vontade quase incontrolável de chutar alguma coisa? Às vezes *completamente* incontrolável? Pois é. Hoje um fiho da puta teve uma vontade incontrolável de RISCAR UM CARRO. E escolheu o MEU!!! E não foi daquelas vontadezinhas tímidas de fazer um risquinho pequenininho só não. Foi "Nossa!, hoje eu quero riscar um carro de um lado INTEIRO, de fora a fora!!!" E enquanto estava a fazê-lo, foi impossível não pensar "agora eu TENHO que fazer tudo DE NOVO, pra ficarem DOIS riscos enormes!" E assim se fez.

Ainda bem que eu não me deixo abalar por essas coisas pequenas, e sou desapegado o suficiente das coisas materiais para não me importar com danos à propriedade (veja-se que nem usei o possessivo "minha" antes de "propriedade"). Que o bom - porém mal-encaminhado - ser humano que fez isso tenha um ótimo dia e que sua vida seja de hoje em diante cheia da alegria divina para que esse infortúnio não venha a acontecer a outros. Amém.

Sábado, Setembro 11, 2004

Planos dourados

O sentimento de pertença a um lugar físico é uma coisa fascinante. Falo isso do ponto de vista de quem nasceu e cresceu no mesmo chão, na mesma terra. Não sei como funciona isso na cabeça de quem foi criado de maneira meio nômade.

Vim para Campo Grande este final de semana porque meu primo se casava. Meu irmão veio junto. Na estrada, ainda na zona rural, ele aponta para a janela e me diz:

-- Olha!
-- O quê?
-- Cerrado!

A princípio dispensei o comentário, tão óbvio. Meio segundo depois, resolvi me surpreender com o fato. "Filósofo é aquele que nunca perde a capacidade de se surpreender com as coisas", já dizia o autor de O Mundo de Sofia. Reparei no relevo, tão plano, com pequenas ondulações, muito diferente do que se vê no Sudeste. Devido à seca, os pastos estavam esturricados, palhentos, cheios de um dourado ardente. As folhas das árvores também variavam de tons assim para o vermelho, como em um outono desértico. Vez ou outra passava correndo para trás um ipê brilhante de amarelo vivo. Então, de repente, eu paro comigo e percebo: estou em casa.

Sábado, Agosto 28, 2004

PIMBA

PIMBA: Pseudo-Intelectual Metido a Besta e Associados.

Essa é uma expressão, até onde eu sei, inventada pelo pessoal da minha turma de Ciência da Computacão na UFMS, com a qual (a turma, não a expressão) eu estudei durante o primeiro ano, 2002. A gente a usava (a expressão, não a turma) para debochar de pessoas que vinham todas com aquela pose de "eu sei tudo e vou compartilhar de minha sabedoria com vocês". Às vezes simplesmente dizendo uma palavra incomumente rebuscada, ou falando de filmes alternativos, literatura, arte em geral, coisas assim.

Não que realmente nós fôssemos contra cultura, bom vocabulário e refinamento. Mas era sempre uma oportunidade de se zuar com alguém. Bastava alguém, pelo mais breve momento, incorporar o sabichão, para que o resto gritasse em uníssono: "PIMBA!", "que frase mais PIMBA!!", "esse filme é mó PIMBA!", etc.

Acontece que eu estou em um crescente processo de enPIMBAlizacão. Esse semestre resolvi estudar de verdade (estou quase comecando a conseguir, mas o objetivo permanece), peguei uma matéria no IFCH (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas), estou lendo e assistindo coisas inusitadas. A matéria chama-se "Introducão ao Pensamento Político Clássico", e o professor não poderia ser mais PIMBA. Com forte ênfase no P (de Pseudo). Do tipo que erra concordância boba, mas usa palavras como "engendrar" e fala como se estivesse lendo. Lendo mal. Como na quinta série, quando a professora pedia para ler e as sílabas saíam meio individualizadas, sem cadência e unidade com o contexto.

Filmes PIMBA inusitados que assisti na última semana: Dogville (com a sempre maravilhosa Nicole Kidman) e, hoje, Hamlet (a versão com a Kate Winslet). Dogville foi meio desconcertante, fez pensar e chamou a atencão por ser inusitado (adoro essa palavra). Hamlet é um clássico que eu não conhecia (nem as linhas gerais da estória) e, do ponto de vista de quem não conhece a obra original e teve o filme como primeira impressão, me surpreendeu positivamente, e bastante (apesar das não-cansativas 3 horas e 50 e poucos minutos).

Já de livros, estou lendo "O Príncipe", de Maquiavel (para a tal matéria do IFCH) e retomei minha vagarosa leitura de "O Mundo de Sofia". Claro que, como eu sou ótimo em comecar coisas e não acabá-las, tem também as dez últimas páginas de "Olga" e menos de metade de "Stupid White Men - Uma Nacão de Idiotas" para terminar.

Imagine só, com toda essa recém-adquirida bagagem cultural, minha nível PIMBA subiu consideravelmente, e agora poderei me articular bem melhor com os membros de tão seleto grupo.

Deixa só eu comecar a estudar alemão pra ver. Aí ninguém me segura!! Vou assinar cada post com citacões de Goethe (no idioma original, claro, até mesmo pra dar uma nivelada na audiência) :P. Meu Deus! Tragam a criptonita!

Sábado, Agosto 21, 2004

O porquê da carta

Nas curtas reflexões e/ou conversas que algum dia já tive na vida a respeito da rivalidade e-mail versus carta manuscrita, eu sempre tive claro que a carta, obviamente, era muito superior ao e-mail, mais pessoal, mais próxima. Isso era um axioma, "é porque é". Talvez porque é mais tradicional, mais "romântico", eu pensava. Mas não sabia dizer por quê.

Hoje, então, fui ao correio mandar os livros do vestibular da Unicamp para a minha irmã estudar. E assim, do nada, precipitou-se sobre mim o óbvio da resposta à pergunta por tanto tempo não respondida:

A carta é assim, tão melhor, porque ali está um pedaco de papel que esteve nas mãos da pessoa que a escreveu; as palavras saíram dessas mesmas mãos; quem sabe até os lábios sussurraram junto com os dedos os sulcos das palavras gravadas nele. E ao tocar o papel tocamos as mãos, e ao ler com os olhos ouvimos a voz. E o papel, atalho entre os dois sujeitos (remetente e destinatário), envelhece com esses. A tinta, como a voz, fica mais rouca e menos nítida. Mas o sentimento, sentido e guardado no coracão, permanece o mesmo, latente, pronto para se reacender ao menor relance do objeto querido.

Domingo, Agosto 15, 2004

Estranha etimologia

Dizem que uma mente à toa é a oficina do diabo. Tá, tem lá sua razão. Mas às vezes ela é simplesmente a oficina do bizarro. Do idiota. Olha só: esses dias eu estava à toa (cena rara), e comecei a pensar sobre a palavra "provável".

Em que situacões usamos essa palavra? Geralmente para expressar dúvida ou falta de certeza a respeito de alguma coisa. "Você vai ao cinema hoje?" "Provável". Ou seja, "não sei direito, mas há boas chances". E se você pensar estritamente nessa palavra como formada pelo verbo "provar" com o sufixo "vel", a conclusão lógica do significado dela deveria ser "aquilo que se pode provar", isto é, algo de que você tem absoluta certeza, e pode provar!

Estranho? Sim. Inútil? Também.

Domingo, Agosto 08, 2004

Busca google do dia:
"mensagens bonitas de carinho e curtas".

Acho que não tem nenhuma dessas no meu blog, mas beleza. Para o consumidor não ficar insatisfeito, aqui vai uma: "A vida é bela, e você faz parte dela!"

Ei, se eu fosse bom nisso já teria colocado alguma antes, ok? :-P

Tenha um bom dia.

Pedalinho

Ontem fui ao parque (Lagoa do Taquaral) dar uma voltinha. Fomos eu, Lucas, Karina, Andréia e Mazinho.

Como o próprio nome diz, tem um lago no parque. Tem um tipo de navio em miniatura, meio parecido com uma caravela, que não sai nunca do lugar (ancorado) e pessoas entram nele pra conhecer. E tem, óbvio, pedalinhos!!

Eu andei no pedalinho. Foi aí que eu descobri que esse é o tipo de veículo em que se entra no máximo 3 vezes na vida:

1. Quando você é crianca, é seu pai mesmo que está pedalando, é uma tremenda novidade, e você acha aquilo o máximo.

2. Quando você já é grandinho, lembra de como foi legal quando você era crianca, fica saudoso e quer ir de novo. É aí que você percebe que o negócio é uma droga, você pedala, pedala, pedala e não sai do lugar. Além de que ficar no meio do lago nem é lá grande coisa mesmo. Você odeia.

3. Quando você vai levar o seu filho pra andar no negócio. Coloca ele lá, dá-lhe pedalar, conta todo sorridente como foi legal quando você era crianca, e pensa consigo mesmo: "essa é a última vez que eu entro nessa &%$#@!!"

Domingo, Agosto 01, 2004

Reflexões de Beira de Pia...

... porque mesa de bar é muito clichê. Estava eu esses dias atrás escovando os dentes quando, numa daquelas meditacões corriqueiras que se tem durante a higiene bucal, fiquei a refletir a respeito do movimento de rotacão do planeta e os conseqüentes fuso-horários.

Imaginei as pessoas se levantando ("UÁÁÁÁÁ" - onomatopéia de espreguicamentos pós-despertar) todas mais ou menos simultaneamente em um mesmo fuso-horário, e então as do próximo, e as do próximo (imaginem um remix, com vários UÁs se repetindo, cada um comecando antes do último terminar).

Em seguida imaginei isso estendido a todas as outras atividades corriqueiras do cotidiano. Foi aí que eu tive um lampejo, uma revelacão: o mundo é uma enorme HOLA (daquelas de estádios) em câmera lenta!!! :D

Terça-feira, Julho 27, 2004

Se você estiver realmente muito louco para assistir "Nem que a vaca tussa", o novo desenho animado, se não me engano, da Disney, deixe para fazê-lo em vídeo. Melhor ainda, baixe-o em DivX pela internet, de graça, e assista no computador. Mas só se você estiver realmente muito louco. Caso contrário, pegue um livro, assista outra coisa, ligue para um amigo ou parente distante, dê uma volta no parque, DURMA, mas faça algo melhor com seu tempo.

Quarta-feira, Julho 21, 2004

Intersecções Sociais

Tem gente que, ao estudar Matemática durante seus anos de educação básica (até o Ensino Médio), fica pensando o quanto aquilo é inútil e nunca os servirá para nada. E eis aqui mais uma prova de que a Matemática não é inútil.

E eu não vou dar aqui aqueles exemplos clássicos de como você precisa da Matemática para calcular os juros do cartão de crédito, o troco do passe de ônibus, ou quantas laranjas ganhará de fato o Joãozinho.

O meu exemplo, claramente muito mais sofisticado (e modesto, óbvio), mostra a beleza da Teoria dos Conjuntos e como ela se relaciona com a nossa vida social.

Ao longo da nossa vida, nos relacionamos com várias pessoas em diferentes esferas sociais: na escola, no cursinho, na Igreja, na academia, na faculdade, no grupo de discussão internética sobre hardware de computador (nerd!), etc. Todos estes são subconjuntos de um conjunto maior, o dos nossos amigos. O que delimita cada subconjunto é o fato de que seus elementos são nossos amigos e também amigos entre si.

Eu, pessoalmente, não acho essas subdivisões muito convenientes, já que é necessário que se agende horários diferentes para se relacionar com cada um deles separadamente. O ideal mesmo seria que todos fossem também amigos entre si, e vice-versa, de modo que eu pudesse desfrutar mais de todos ao mesmo tempo, pois teria o mesmo tempo, que antes era dividido para eventos com cada subconjunto, para estar com todos.

Aliás, eu poderia concentrar todas as atividades grupais em uma só, com a mesma duração que tinha apenas uma, e deixar o resto do tempo livre para dar mais atenção localizada - aquela mais profunda, diferente da bagunça em galera - para cada amigo em particular.

Essa situação (todos os subconjuntos de amigos sendo também amigos entre si)  expressa-se matematicamente como sendo aquela em que a intersecção dos subconjuntos de amigos é igual à sua união.

Um dos motivos que me levou a discorrer sobre isso foi o fato de que, depois que voltei para Campo Grande, comecei a reparar que quando me encontrava com certas pessoas (mais de uma ao mesmo tempo), estas se mostravam tão saudosas umas das outras como de mim mesmo, que estava longe. Ou seja, elas se viram pela última vez quando elas me viram pela última vez.

Outro motivo foi que, participando do IX ENUCC este último final de semana, tive a rara e curiosa oportunidade de ver pessoas que, na minha mente, pertenciam a mundos distintos (Campo Grande e Campinas) se conhecendo, conversando e ficando amiguinhas (amigonas não dá porque o tempo é curto). Isso é muito legal! :-)

Agora o que não é tão legal é quando acontece o contrário. Pessoas que faziam parte do mesmo subconjunto se distanciando entre si e, dessa forma, dividindo o subconjunto em dois outros subconjuntos distintos. Ninguém merece. Mas... C'est la vie.

Segunda-feira, Julho 12, 2004

Back to the jungle

Campo Grande. Uma distante e esquecida pequena capital enfiada no cotovelo do Centro-Oeste brasileiro cuja existência (da capital, não do Centro-Oeste) é ignorada ou às vezes até mesmo desconhecida pelo agitado homem branco dos Estados-metrópole sudestinos.

Lugar que povoa o imaginário de muitos como terra selvagem, exótica, praticamente atolada no meio do Pantanal, dotada de ampla fauna urbana de alegres jacarés, capivaras, sucuris, tuiuius e onças-pintadas que insistem em percorrer despreocupadamente suas avenidas (da cidade, não dos animais) e dividir estimadamente (advérbio para "de estimação") os quintais de seus habitantes.

A este paraíso de esplendor tropical foi que eu cheguei quinta-feira passada por volta de meio dia, depois de razoavelmente bem-dormidos 1.000km de ônibus Andorinha. Aliás, é notável o progresso em minha técnica de dormir em desconvidativos veículos coletivos trans-estaduais: ouvi ao todo menos de 2 CDs completos: o inevitável "Scenes from a Memory" do Dream Theater e metade de um de chorinho do meu irmão (a propósito, pode usar dois pontos de dois pontos?).

Revi minha irmã, meus pais, saí com alguns amigos e, antes que se pudesse dizer "Parangaricotirimirruaru!", fiquei à pé. Espero que o carrinho desarrebentado do meu irmão fique pronto logo.

Segunda-feira, Julho 05, 2004

Por um triz!

Hoje eu passei por algumas horas de agonia. Tem apenas uma matéria em que eu via alguma possibilidade de ficar de exame este semestre: física experimental 1. E, apesar de ainda não ter visto a nota (sai amanhã de manhã), eu tenho quase certeza que passei, porque o professor é muito tranqüilão e, mesmo que falte algo entre um e dois pontos (que eu acho que falta), ele dá um empurrãozinho e tá tudo resolvido.

A agonia foi por conta de uma surpresa: física 1 (teórica, não experimental). A média é 7 e eu precisava ter tirado 4,5 na última prova pra passar. Estava tranqüilo. Fiz a prova com um bom nível de certeza de ter acertado pelo menos o equivalente a um 7,5. Nem me preocupei em correr muito atrás da nota que eu tinha tirado. Aí hoje, quando fui à universidade ver a nota de física experimental, o Mingau me diz que eu tinha tirado 3,3 na última prova, e estava de exame.

Sabe aquela sensação do céu caindo sobre a sua cabeça? Essa mesma. Todas as minhas ansiosas expectativas de voltar pra casa amanhã, rever meus pais, minha irmã, meus avós, parentes, amigos, a fazenda, etc., e até aquela divina sensação de alívio pelo término do semestre passaram como flashes pelos meus olhos, indo direto para um limbo de desespero alimentado pela perspectiva de ficar mais duas semanas aqui (metade das férias) e, pior que isso: estudando.

Fiquei atormentado por essa agonia a tarde inteira, até que finalmente às cinco eu fui falar com o PED (doutorandos que ajudam professores) responsável pela minha turma, e ele viu que realmente tinha havido um erro na correção da minha prova: eu devia ter tirado 4,3.

Quatro vírgula TRÊS.

Isso elevava a minha média para desesperadoramente insuficientes 6,925!!

Mas graças à Providência Divina e ao Espírito Natalino, o PED compadeceu-se de mim e me dispensou do exame (sem, contudo, aumentar minha nota final). Sabe aquele céu, sobre a minha cabeça? Poisé. Sumiu! :-)

Agora, eu juro que se o professor coxa com o qual eu estou contando passar amanhã NÃO me passar, eu ENCHO ele de bicuda!!

Quinta-feira, Julho 01, 2004

Dormir pra quê?

Dando um breve update a respeito de por quê tenho andado meio sumido. Famosa "Semana da Morte", final de semestre, seis provas em cinco dias, quatro relatórios de laboratório de física, um ensaio de "tópicos de humanidades para engenharia", dois fichamentos de textos da mesma disciplina, dois episódios de "Coupling", uma sessão de "A Viagem de Chihiro", uma partida de buraco, uma saída infrutífera para andar de carro e voltar para tomar capuccino *em casa*, algumas horas em longos telefonemas com pessoas distantes. Total de horas dormidas (na semana): nove.

Quarta-feira, Junho 23, 2004

Programa de Combate ao Alfabetismo

Taxação de livros importados
por Pedro Paulo Rocha em 21 de junho de 2004

A partir de 1º de maio entrou em vigor a lei 10.865, que estabelece a
cobrança de impostos sobre a importação de livros não obstante a
isenção prevista no art. 150, VI, "d", da Constituição Federal para
livros, jornais e impressos em papel. A notícia foi publicada, mas
como o interesse neste tipo de assunto restringe-se a profissionais
especializados que dependem de obras publicadas no exterior,
principalmente nas áreas de ciências e tecnologia, ela passou quase
que inteiramente desapercebida do público.


Parece que o Excelentissimo Senhor Presidente da Republica, nao contente em ser ele mesmo um semi-analfabeto e completo retardado, decidiu compartilhar com o resto da nacao a sua prodigiosa desinteligencia: para aumentar a arrecadacao, ao inves de abrir um pouco (soh um pouco) menos as pernas em concessoes e isencoes fiscais a grandes corporacoes, vamos taxar livros!! Estes, sim, sao os verdadeiros viloes do deficit fiscal brasileiro!! Claro!!

Sábado, Junho 19, 2004

Shrek 2

Seguindo (pelo menos momentaneamente) a opiniao de um blogueiro que encontrei no Orkut, nao farei criticas amadoras ao supracitado filme, o qual eu vi na ultima quinta-feira. Deixo apenas um registro historico de que eu gargalhei copiosamente durante quase todos os 93 minutos (Internet Movie DataBase) do filme. Genial (oops! escapou uma opiniao amadora!! bad boy! bad boy!).

A "coisa"

Eu nunca tive inimigos. Realmente nao me lembro de ter tido alguma pessoa que me detestasse a ponto de eu ficar sabendo disso, e tambem nunca tive alguma pessoa em particular que eu realmente nao gostasse.

Exatamente por isso que eu fico muito, EXTREMAMENTE incomodado quando eu sei que tem alguem que eu conheco e que tem alguma "coisa" contra mim. Nao algo declarado, do tipo em que a pessoa faz questao de deixar claro que nao vai com a minha cara. Isso eh muito melhor. Eu estou falando de quando eu *sei* que tem essa "coisa", e a pessoa insiste firmemente em ser perfeitamente (talvez ateh demais) simpatica, fingir que nao tem nada demais, e fazer as conversas o mais curtas e superficiais possiveis, tudo muito cheio de sorrisos e cordialidade. Eu realmente ODEIO isso. Principalmente quando eu GOSTO da pessoa.

Essa "coisa" eh meio indefinida, nao dah pra dizer o que eh. Mas voce sabe que ela estah lah. Talvez nao seja propriamente uma magoa, um ressentimento a respeito de alguma coisa especifica que voce fez ou disse, mas ela existe. E ela continua lah, deixando as coisas estranhas, os silencios constrangedores e os sorrisos falsos.

E acho que, pelo menos nesse um caso especifico que me levou a escrever sobre esse assunto, nao ha outra maneira de resolver a situacao a nao ser pegando o telefone, ligando pra pessoa e dizendo um sonoro: "Porra! Agora chega! Vamos ter uma conversa SERIA!" Pode ateh ser que isso venha a transformar o dissabor velado em desgosto escancarado, mas eu prefiro assim!

Estamos todos mergulhados (eu diria AFOGADOS) em um oceano de sentimentos COVARDES!!

Quarta-feira, Junho 16, 2004

2xHit Combo

Nao tem coisa melhor na vida de um estudante universitario em casa, a noite, sem nada pra jantar alem daquela tenebrosa perspectiva de um miojo se projetando (a perspectiva, nao o miojo) sobre um estomago apavorado, do que sair por acaso de casa (cacof! cacof!) e, inadvertidamente, dar de cara com uma farta e deliciosa BOCA LIVRE.

Alias, minto. Existe sim:

Dar de cara com DUAS bocas livres!!!!

Depois de insistentes convites do meu irmao para acompanha-lo a missa na casa dos jesuitas e ao ensaio do coral de Taize (do qual eu tambem faco parte), eu venci a inercia pos-me-ferrei-no-teste-de-fisica-e-nao-quero-sair-de-casa e fui.

Ao terminar a missa, para minha alegre surpresa, estava tendo, nao sei por que motivo, uma confraternizacao do pessoal que costuma frequentar a casa (era a segunda vez que eu ia, me achei no direito). Comi ate nao querer mais.
Ja satisfeito e empanzinado, fui para o ensaio do coral.

Ao terminar o ensaio do coral, veja que (outra) incrivel coincidencia!!
Tiazinha que canta no coral:
-- Gente! Gente!! Eh aniversario do padre!!! Vem comer bolo e cantar parabens!!
A galera:
-- Oooooopaaa!!! Claro!! Eh aniversario do padre Ricard... Rodrigo!! Isso, Rodrigo! Claro!! Bora lah! Bora lah!

E assim foram-se mais outros salgadinhos, brigadeiros, beijinhos, refrigerantes, bolos e etc.

Arre egua!

Terça-feira, Junho 15, 2004

Comparacoes

Coisa mais idiota que existe no jeito da minha cabeca funcionar (nao sei se isso se expande ao resto do genero humano, mas acredito que sim) eh o auto-conceito por comparacao. "Eu sou inteligente porque tem pessoas menos inteligentes", "eu sou feio porque tem pessoas mais bonitas", esse tipo de coisa. Isso leva a dois tipos de erros. Ou voce se acha melhor do que os outros, fica soberbo e arrogante, ou fica com inveja de quem eh melhor do que voce.

Claro que essas sao coisas idiotas e mesquinhas, mas as vezes surgem, mesmo que lah no fundinho, porque as diferencas realmente existem, isso eh obvio. Mas se voce pensar que as qualidades que voce tem nao sao merito seu porque voce as ganhou de presente, e que gracas a Deus tem pessoas melhores do que voce no mundo (imagina se fosse todo mundo do meu nivel pra baixo?!), dah pra evitar isso legal. :-)

Segunda-feira, Junho 14, 2004

Itaici

Estive em um retiro de silencio esse fim de semana em Itaici, um centro de espiritualidade inaciana (jesuita) que fica na cidade de Indaiatuba, a 30km de Campinas.

Foi uma oportunidade muito boa de colocar algumas coisas em ordem na cabeca, conversar com o Senhor, tomar algumas iniciativas pequenas mas importantes na vida, ter horarios saudaveis de dormir e acordar, comer bem e passar frio (as vezes eu gosto, vai entender).

O lugar em si eh maravilhoso. Eh um antigo (e ENORME) seminario jesuita que foi transformado em casa de retiros e encontros. O quarto eh super charmoso, daqueles pequenos com uma cama, uma mesa com abajur e banheiro (dah vontade de pegar papel e ficar ali escrevendo tratados teologicos). E tem varios deles, dezenas, centenas, em muitos corredores com os tetos altos, cheios de eco, e jardins muito bonitos e inspiradores ao centro.

Mas tres dias, realmente, sao muito pouco... :)

Terça-feira, Junho 08, 2004

Ecstasy

"Jogos de computador nao afetam criancas, tipo, se PacMan tivesse nos afetado quando criancas, nos estariamos todos rodando por aih em salas escuras devorando pilulas e ouvindo musica repetitiva..." - Kristian Wilson, CEO, Nintendo Gaming Corporation, Inc, 1989.

Eu vi isso numa comunidade do Orkut chamada "Ecstasy". Brilhante.

Fax - Mensagens de um futuro proximo

Esse eh o titulo de um livro do Jorge Wilheim que tive que ler para a disciplina HZ291 - Topicos de Humanidades para Engenharia. E tenho que escrever um ensaio (o que eh um ensaio?) de 10 paginas a respeito dele.

O cara que escreveu eh um tipo de sociologo, aih ele fez esse livro de ficcao recheado com aquelas coisas cliches que sociologos vivem falando do futuro. Nao que nao tenham lah seu fundo de razao e probabilidade. Mas que sao cliche, sao.

A historia eh a de um antropologo dos nossos tempos que entra em contato, via fax, com um outro antropologo, que vive no ano 2029, se nao me engano. Aih eles ficam trocando faxes a respeito do monte de coisas que aconteceram, que teve a "Grande Crise Disso", e por causa dela ha uma mudanca radical no modo da humanidade pensar tal coisa, e depois tem o "Grande Colapso Daquilo", e se mudam mais outras coisas, ateh ficar tudo suspeitamente parecido com... TCHAN TCHAN TCHAN TCHAN!!... o Socialismo! Ahah! Sacada, hein, Mr. Wilheim!

Claro que no livro ele se chama "economia social", e tem uma cara bem mais high-tech e tals.

Mas nao me interpretem mal, eu nao sou anti-socialista. Inclusive, eu sou socialista, com ressalvas (aquela parada de vamos pegar em armas e derrubar a burguesia, essa malvada que 'cavou seu proprio tumulo', nao ta com nada. Eu gosto da visao do Bertrand Russel - vamos aos poucos convencendo a galera de que eh a via mais racional e bacana para dar uma melhoradinha na merda que o mundo tah hoje, ateh que a maioria pense assim - e nao seja coibida a isso - e de fato se faca o que for necessario pro negocio funcionar).

O que eu achei bobo no livro foi ele botar esse monte de coisinhas direcionadas, todas bem moldadinhas as suas visoes sociologicas e tals, e principalmente ter feito isso como ficcao. Ficou aquela coisa ao estilo estorinha com licao de moral. O cara nao se decide entre ser ficticio ou didatico. Meio que nem "O Mundo de Sofia" que, apesar de tanta gente pagar pau nele, eu larguei na metade por causa disso.

Domingo, Junho 06, 2004

Sofia

Tava pensando em escrever um pouco sobre o final de semana passado, quando meus pais estiveram aqui em Campinas para visitar a mim e ao meu irmao. Aih eu lembrei do nome de uma menininha simpatica que eu conheci na Oracao de Taize que teve sexta-feira agora numa igreja perdida na tortidao das ruas de Campinas: Sofia.

Lembrei dela porque eu gostei tanto, mas tanto da visita dos meus pais... E nao soh porque eu estava com saudade, e gostei da companhia e do carinho deles. Isso tambem. Mas a gente teve algumas oportunidades de conversar (principalmente a noite no Santa Fe, quando a gente saiu pra jantar) e, durante essas conversas, eu fiquei impressionado com a sabedoria deles.

Acho que o fato de sair de casa, estar na faculdade, o Lucas ja pensando em se casar e etc. dah espaco para certos tipos de conversa mais maduros, meio que de adulto para adulto, e a gente conversou sobre a vida, sobre o Amor, sobre a feh, sobre familia, e foi tudo de uma profundidade muito bonita e singela.

E pra nao ter como ficar melhor, as pizzas estavam deliciosas e a musica, divina. Jazz ao vivo da melhor qualidade. ;-)